sábado, 29 de agosto de 2009

David o trotskista

O que sabe David Almeida da Revolução Permanente? Que paixões secretas nutre pela histórica Albânia de Enver Hodjxa? Que envolvimento terá com os grupos radicais bascos e irlandeses?Legítimas questões que o cidadão comum se coloca ao ver o social – democrata (socialista pragmático) de ontem transformar-se no revolucionário puro-sangue de hoje, assumindo as bandeiras vermelhas do agora sim!Agora sim! Tem David o seu pedestal. Tão desejado, mas sabiamente recusado no seu partido de há poucas semanas. Seria possível os socialistas locais defenderem um projecto político orientado para a solidariedade e justiça social com quem troca de filiação partidária como de uma camisola de clube de futebol?Todos sentimos que não. Então foi melhor assim. E agora sim! está claro que a batalha de David não é contra o Golias do subdesenvolvimento e das desigualdades sociais.

A batalha do David é pelo David. O que pretendia David quando era vice? Era passar a super-David.

Mas a impaciência trai sempre os protagonistas nas batalhas. Porque aceitou David recuar na sua confrontação pública com o seu Presidente depois de ter sido censurado internamente no seu partido?Porque queria sinalizar que existia uma alternativa para o próximo mandato, sem colher hostilidade interna e até ver valorizada a sua dita condescendência.

Mas David semeou mal a terra. Esqueceu-se da política. Não trouxe argumentos políticos a debate, antes invocou questões de consciência, como se estas lhe garantissem um perfil de seriedade por serem sistematicamente referidas.

O argumento político, esse sim, permite deslindar o que pretende quem o produz. E nessa matéria foi o deserto total.

A situação actual de uma candidatura através de um grupo radical poderia iludir mais uma vez a situação e deduzir-se que as divergências do agora candidato poderiam ter uma base política e até serem de esquerda e não de direita como aparentavam ser.

As reservas que suscitavam as suas inclinações assistencialistas e deliberadamente de base religiosa na condução das orientações programáticas da Rede Social concelhia na luta contra a pobreza, afinal eram uma camuflagem.

Mas David é prático. Não perde tempo com essas coisas. O que interessa é chegar. As banalidades, expressas na sua entrevista de pré-candidato concedida ao Praça Pública, em matéria de estratégia para o desenvolvimento concelhio são clarificadoras. Mas a ausência de ideias e visão de pouco importam. Se importassem teriam sido expressas anteriormente com convicção, mas não, estas são de circunstância.

Porque será que este tipo de independentes, os agora neo-bloquistas David Almeida e Alcides Alves de Esmoriz, ficam sempre revoltados contra as lógicas internas dos partidos….exactamente quando os lugares que pretendiam ocupar lhes são recusados?

Agora sim percebe-se, é o velho grito, Independência ou morte!

Carlos Ribeiro


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